NF-e
Rejeição 355: como informar o local real de saída do país na NF-e
A rejeição 355 indica que a NF-e foi identificada como uma saída para o exterior, mas não trouxe o grupo com o local de embarque ou de transposição de fronteira. Para corrigir, confirme primeiro a operação e depois registre o ponto por onde a mercadoria deixará o Brasil. O endereço do comprador no exterior não…
A rejeição 355 indica que a NF-e foi identificada como uma saída para o exterior, mas não trouxe o grupo com o local de embarque ou de transposição de fronteira. Para corrigir, confirme primeiro a operação e depois registre o ponto por onde a mercadoria deixará o Brasil. O endereço do comprador no exterior não substitui essa informação.
A equipe comercial pode conhecer o destino da carga sem conhecer o porto, aeroporto ou passagem de fronteira definidos pela logística. Essa diferença explica por que uma nota aparentemente completa ainda pode ser rejeitada. O dado necessário deve vir do planejamento efetivo do embarque, sem preenchimentos genéricos apenas para liberar a emissão.
Quando a regra se aplica
A ZA01-10, no MOC 7.0, página 127, pertence à autorização da NF-e modelo 55. Ela exige o grupo exporta quando duas condições estão presentes: tpNF=1, indicando saída, e idDest=3, indicando operação com o exterior.
As duas condições são necessárias. A 355 não manda acrescentar um porto a toda nota que mencione importação, exportação indireta ou cliente estrangeiro. Uma entrada do exterior, por exemplo, não se torna saída para exportação por possuir referências a documentos anteriores.
A aplicação é obrigatória na tabela do MOC, sem exceção específica na ZA01-10. O enquadramento documental não dispensa conferir a versão do emissor e o ambiente utilizado. Trata-se da autorização da NF-e, e não de um evento de averbação, de uma consulta por QR Code ou da conclusão do despacho aduaneiro.
Quais informações pertencem ao grupo exporta
O leiaute oficial, página 64 diferencia três campos:
UFSaidaPais: sigla da UF de embarque ou de transposição de fronteira, com duas posições; o valor EX não é aceito
xLocExporta: descrição do local de embarque ou de transposição de fronteira, de 1 a 60 caracteres
xLocDespacho: descrição do local de despacho, relativa ao recinto alfandegado, de 1 a 60 caracteres, quando informada
Dentro do grupo, os dois primeiros campos são obrigatórios. XLocDespacho é opcional no leiaute. Ele não deve ser preenchido automaticamente com o país de destino. Porto de saída, recinto de despacho e endereço estrangeiro podem representar lugares diferentes.
A UF do emitente também não determina necessariamente UFSaidaPais. Uma empresa estabelecida em um estado pode exportar por infraestrutura localizada em outro. Copiar o endereço da própria empresa pode produzir um arquivo formalmente preenchido, mas com informação incorreta sobre a operação.
Roteiro para corrigir no emissor
Confira o retorno completo e o XML da tentativa, confirmando modelo 55, tpNF e idDest
Valide com o responsável fiscal que a nota realmente documenta uma saída para o exterior
Obtenha com a logística ou com o responsável pelo processo o local efetivo de embarque ou fronteira e sua UF
Preencha os campos de exportação na operação do sistema, sem confundi-los com dados gerais do cliente
Gere novamente o XML e confira a presença de exporta, UFSaidaPais e xLocExporta
Reenvie e acompanhe o resultado individual da nota
A IOB apresenta a correção pelos campos de UF e local de embarque. A Athenas localiza o preenchimento na área de exportação/importação de sua rotina de saídas. São referências práticas de interface; os nomes e caminhos podem mudar conforme o emissor.
Se a tela já está preenchida, o próximo passo é verificar o XML gerado. O problema pode estar na associação da operação com o cadastro logístico ou na rotina que transforma os dados em arquivo. Repetir o envio do mesmo XML ausente de exporta não acrescenta a informação que falta.
E se a venda não for uma exportação?
Nesse caso, incluir uma saída fictícia não é a solução. Revise os dados que fizeram o emissor declarar tpNF=1 e idDest=3, preservando a natureza verdadeira do negócio.
O Bling descreve situações em que tipo de pessoa e endereço influenciam a configuração da nota. Essa orientação é específica do sistema: a causa técnica da ZA01-10 continua sendo a ausência de exporta numa saída para o exterior. Não transforme um estrangeiro em pessoa brasileira nem altere um endereço verdadeiro só para evitar a mensagem.
Também não confunda a venda nacional para uma trading com a nota pela qual essa trading efetivamente exportará. Cada etapa precisa refletir seus próprios participantes e destino. O fato de a mercadoria ter exportação futura prevista não basta para preencher qualquer documento da cadeia como saída do país.
Um exemplo para conferir com a logística
Uma indústria prepara uma NF-e de saída para um comprador estrangeiro. O pedido está classificado corretamente, mas o responsável deixou a rota de embarque sem associação. O sistema envia idDest=3 e tpNF=1, sem exporta.
Após confirmar que o embarque ocorrerá pelo ponto previsto na documentação logística, a equipe preenche a UF e o nome desse local e regenera a nota. O objetivo não é simplesmente acrescentar qualquer porto conhecido. É garantir que o XML represente a saída planejada e que uma mudança posterior de rota seja tratada pelo procedimento fiscal adequado.
O que não substitui essa correção
Informar drawback ou exportação indireta no item não preenche o grupo exporta da nota inteira. Registrar um evento relacionado à exportação também não corrige o XML rejeitado. A 355 precisa ser tratada na geração da NF-e e seguida de um retorno conclusivo da autorização.
O DANFE Simplificado Tipo 2 não cria uma alternativa para exportar sem esses cuidados. A NT 2026.002 v1.11, página 8 prevê a rejeição 707 para operação com o exterior em NFC-e ou NF-e com tpImp=6. Não mude o tipo de impressão para contornar a classificação real.
Antes de qualquer nova emissão motivada por uma resposta incerta, consulte a situação da tentativa anterior. Não inutilize numeração nem gere outro documento automaticamente. Encerre o tratamento com o resultado individual confirmado e, em caso de autorização, com o XML e o protocolo arquivados.
Referência de atualização: 10/10/2026. Escopo: autorização de NF-e modelo 55, regra ZA01-10; implantação operacional deve ser conferida conforme UF, versão e ambiente.