NF-e
Rejeição 346: a quantidade da exportação indireta precisa fechar por item
A rejeição 346 ocorre quando a soma das quantidades informadas na exportação indireta não corresponde à quantidade comercial do mesmo item da NF-e. Para corrigir, confronte os documentos de origem, a unidade de medida e o XML enviado. Ajustar um número apenas para fechar a soma pode registrar uma quantidade que a…
A rejeição 346 ocorre quando a soma das quantidades informadas na exportação indireta não corresponde à quantidade comercial do mesmo item da NF-e. Para corrigir, confronte os documentos de origem, a unidade de medida e o XML enviado. Ajustar um número apenas para fechar a soma pode registrar uma quantidade que a empresa não movimentou.
O diagnóstico é por item. Uma sobra em um produto não compensa uma falta em outro, mesmo que o total geral da nota pareça correto.
Quais quantidades entram na comparação
A regra I55-10 do MOC 7.0, página 96 pertence à autorização da NF-e modelo 55. Se o grupo de exportação indireta foi informado, a soma de qExport deve corresponder a qCom daquele item.
qCom é a quantidade comercial do produto na nota atual. qExport aparece dentro de det/prod/detExport/exportInd e informa a quantidade vinculada àquela ocorrência de exportação indireta. Havendo mais de uma ocorrência no item, todas entram na soma.
A comparação não usa o valor total da nota, a quantidade de volumes transportados ou qTrib. Esta última é a quantidade tributável e pode utilizar unidade diferente. Substituir uma pela outra sem a conversão adequada produz uma divergência mesmo quando o estoque físico está correto.
A I55-10 é facultativa e tem observação expressa de implementação opcional por UF. Na tabela da SEF-MG, ela consta como validada. Isso documenta o caso mineiro, sem certificar ativação em todos os autorizadores e ambientes.
A unidade é a de comercialização do item
O leiaute oficial, página 20, determina que qExport use a unidade de comercialização daquele item. Se a NF-e atual expressa a quantidade em caixas, não copie para qExport a quantidade em peças sem conferir a conversão documentada.
Também é preciso distinguir a quantidade de toda a nota recebida da parcela efetivamente relacionada à operação atual. Um documento de origem pode conter mais mercadorias do que as movimentadas agora. Importar automaticamente seu total pode inflar a distribuição do item.
Há uma particularidade para CFOP 3.503: qExport informa a quantidade de mercadoria devolvida. Nesse cenário, a chave de chNFe é a da NF-e que efetivou a exportação. Não reaproveite mecanicamente o tratamento de uma saída de exportação quando está documentando a devolução correspondente.
Como encontrar a diferença
Monte uma conferência simples para cada item rejeitado: unidade comercial, qCom, chaves de origem, qExport de cada vínculo e soma final. Faça a conferência com os valores do XML, porque a tela pode ocultar casas decimais ou mostrar uma alteração ainda não transmitida.
A NS Tecnologia exemplifica uma soma de qExport superior à quantidade comercial. O exemplo identifica a inconsistência, mas não determina qual campo está errado na sua operação. Antes de mudar qCom, descubra se o problema foi uma quantidade comercial incorreta, um vínculo duplicado ou uma distribuição indevida.
A Vinco destaca a igualdade por item e a opção de implementação por UF. A facultatividade não é motivo para enviar quantidades falsas em um ambiente que não rejeita o arquivo.
Um roteiro que preserva o negócio real
Localize o item e obtenha pedido, documentos de origem e registros da movimentação
Confira a quantidade comercial e sua unidade na operação atual
Relacione cada qExport à origem correta, verificando parcelas ausentes ou repetidas
Faça as conversões necessárias com fatores comprovados e confira as casas decimais no XML
Corrija a fonte do dado incorreto, regenere o documento e refaça a soma por item
Valide também os reflexos em valores e tributos se a quantidade comercial realmente precisar mudar
O MOC não concede uma tolerância numérica nessa regra. Não presuma que uma pequena diferença será aceita nem distribua resíduos aleatoriamente entre as chaves. Se houver arredondamento, peça ao fornecedor do sistema que revise a conversão e a precisão do cálculo, preservando a quantidade real documentada.
Exemplo: faltou uma parcela na importação
Uma empresa fictícia prepara um item com 180 unidades comerciais. O controle documental comprova três parcelas de origem: 90, 60 e 30 unidades. A integração transporta apenas as duas primeiras para exportInd, de modo que qExport soma 150, enquanto qCom permanece 180.
Reduzir qCom para 150 faria a conta fechar, mas deixaria 30 unidades reais fora da nota. A equipe localiza a parcela omitida, confirma sua chave e inclui o vínculo correto. A soma passa a 180 sem alterar a venda ou inventar uma origem.
Em outro caso, a soma excede qCom porque uma linha foi importada duas vezes. A solução pode ser retirar a cópia indevida, depois de comprovar que ela não representa mercadoria adicional. Somar ou excluir valores sem rastrear sua origem não é uma correção confiável.
Onde ajustar no emissor
A TOTVS, para Datasul, indica a área de controle de exportação por item. Em outros sistemas, o nome pode ser diferente. O resultado obrigatório da conferência é a consistência de cada item no XML, e não a simples igualdade de uma soma geral mostrada na tela.
Se a rejeição reaparecer, compare o arquivo regenerado com a tentativa anterior. Verifique importações repetidas, conversões automáticas e cadastros de unidade. Em integrações, corrija o mapeamento para que a próxima emissão não reproduza a diferença.
Regras vizinhas e vigência
A observação de implementação futura logo após a I55-10 no MOC menciona somente I51-20, sobre drawback inválido, e I53-10, sobre registro de exportação inválido. Ela não inclui a 346. A posição do texto na página não transforma esta regra em uma validação futura.
A exceção de NF-e complementar da I52-10 trata da cobrança de presença do grupo, relacionada à rejeição 340. A I55-10, por sua vez, compara quantidades quando o grupo foi informado; não traz ali uma dispensa equivalente.
As mudanças da NT 2026.002 sobre DANFE Simplificado Tipo 2 não autorizam exportações nesse formato nem convertem a 346 em alerta. A substituição de refNFe por refNFeSig também não corrige quantidades. Preserve a natureza da operação e trate cada validação no campo correspondente.
Após o ajuste, regenere e assine pelo emissor. Consulte tentativas anteriores inconclusivas antes de retransmitir e acompanhe a resposta individual. Guarde o protocolo quando houver autorização e mantenha a reconciliação que explica cada parcela informada.
Referência de atualização: 10/10/2026. Escopo: autorização de NF-e modelo 55, regra I55-10, observadas UF, versão e ambiente.